Cursinho ADUFDourados

divulgacao

 

03

 
 

EDITAL Cursinho ADUFDourados (Edital 01/2018) – clique aqui!

EDITAL DE CONVOCAÇÃO (Edital 02/2018) – clique aqui!

EDITAL DE CONVOCAÇÃO (Edital 03/2018) – clique aqui!

EDITAL DE CONVOCAÇÃO RETIFICADO (Edital 04/2018) – clique aqui!

EDITAL DE CONVOCAÇÃO (Edital 05/2018) – clique aqui!

EDITAL DE CONVOCAÇÃO (Edital 06/2018) – clique aqui!

 

02

 
 

EDITAL Cursinho ADUFDourados 2 – Retificado: prazo prorrogado até 03/08 (Edital 07/2018) – clique aqui!

Questionário Socioeconômico – clique aqui!

———–> EDITAL DE CONVOCAÇÃO (08/2018) – clique aqui! <---------

 

01

 
 

Apesar da mudança significativa que a implantação das cotas trouxe na estratificação social dos acadêmicos nas universidades, apenas uma parcela diminuta da sociedade frequenta a universidade.

No ano de 2002 o Brasil contava com 45 universidades federais e 148 campus/unidades; de 2003 a 2010, houve um aumento para 59 universidades federais (ampliação de 31%) e para 274 campus/unidades (crescimento de 85%), elevando-se de 114 municípios atendidos para 272. Foram criados entre 2011 e 2014 mais 47 novos campus e projetos de lei para a criação de outras quatro Universidades: Universidade Federal do Sul da Bahia – Ufesba (PL nº 2.207/2011), Universidade Federal do Oeste da Bahia – Ufoba (PL nº 2.204/2011), Universidade Federal do Cariri – UFCA (PL nº 2.208/2011) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – Unifesspa (PL nº 2.206/2011) (MEC, 2012). A seguir pe apresentado o quadro de vagas ofertadas na graduação presencial entre 2003 e 2011.

 

Gráfico 1: Vagas ofertadas entre 2003 e 2011 na graduação presencial

 

gráfico01

 

Fonte: Mec (2012)

 

Como podemos observar, em relação à quantidade anteriormente existente, foi uma expansão significativa. Já o quadro abaixo demonstra a ampliação das matrículas na graduação e pós graduação para o mesmo período:

 

Gráfico 2: Evolução das matrículas na graduação e pós-graduação entre 2003 e 2011

 
 

gráfico02

 

Fonte: MEC (2012)

 

Esse fenômeno, associado às cotas, proporcionou uma expansão considerável de estudantes pobres na universidade, mas ainda é tímido se considerar a quantidade global encarando a realidade de desigualdades sociais historicamente construídas no país.

Apenas 14% da população brasileira adulta tem ensino superior, contra uma média de 35% dos países da OCDE, perdendo para países como Chile, Costa Rica e Colômbia (FOLHA, 2016).

Segundo dados do IBGE, em 2004, o número de estudantes de 18 a 24 anos que frequentavam o ensino superior era de 32,9% do total de estudantes nessa faixa etária, saltando para 58,5% em 2014.

De acordo com a pesquisa, em 2004 54,5% dos estudantes do ensino superior presencial à parcela 20% mais rica da população brasileira, com renda média per capita de R$ 2,9 mil. Em 2014, esse grupo ocupava 36,4% das universidades federais; já a população do quinto mais pobre, com renda per capita de R$ 192, era de 1,2% em 2014 e atingiu 7,6% (EBC, 2014).

Apesar desse avanço, entendemos que é necessário avançar muito, pois o acesso à universidade para a população mais vulnerável ainda é ínfimo e faz parte da reprodução da desigualdade estrutural brasileira.

Por conta da expansão de vagas e das cotas raciais, o percentual de negros dobrou entre 2005 e 2015, saltando de 5,5% de jovens pretos ou pardos para 12,8%, para estudantes entre 18 e 24 anos, menos da metade dos jovens brancos, o que em parte reside no atraso no ingresso escolar entre jovens pretos e pardos, em grande parte por conta da vulnerabilidade social e necessidade de trabalhar para sustentar a família.

Nesse contexto, a diretoria do Sindicato dos Professores da Universidade Federal da Grande Dourados (ADUF-Dourados), da gestão “Unidade, Democracia e Luta” entende a necessidade de dar uma contribuição para a mudança da desigual estratificação das vagas na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Dentro de uma estratificação geral mais favorável aos jovens de maior renda, há uma estratificação mais específica, em que cursos com maior mercado como engenharia, direito, medicina continham a ser majoritariamente ocupados por acadêmicos oriundos de famílias de mais alta renda, as quais possuem maior capacidade de dar acesso à um maior capital acadêmico, que permite o ingresso por meio do Vestibular da UFGD e do SISU. Por outro lado, cursos como licenciatura e ciências humanas tem uma estratificação invertida sob esse aspecto, ainda que de maneira geral a maior parte da população esteja fora da universidade de maneira generalizada.

Esse problema se apresenta como particularmente acentuado no caso da cidade de Dourados, em que há uma elevada desigualdade social e violência contra indígenas, assentados, população LGBT, bem como há uma marcante divisão social na ocupação do espaço urbano e acesso à bens públicos e privados.

O Sindicato dos Professores da Universidade Federal da Grande Dourados (ADUF-Dourados), na atual gestão Unidade, Democracia e Luta (2017-2018) tem como parte de sua proposta de chapa a aproximação e suporte mais efetivo aos movimentos sociais e comunidades carentes, reconhecendo que parte da transformação social e da luta perpassa pelo real empoderamento das classe populares, selando esforços de luta junto à população e não apenas por meios discursivos.

Surgiu desse contexto a implantação do Cursinho da ADUF, de caráter voluntário, que visa através de aulas regulares, palestras e debates construir um objetivo duplo: proporcionar reais chances de ingresso na universidade à populações em condição de vulnerabilidade social e proporcionar uma formação de cidadania.

Este projeto visa apresentar aos filiados da ADUF a proposta de criação permanente do cursinho, iniciando pela apresentação do histórico da experiência que fizemos no ano passado por 1 mês e meio, como implantação experimental junto a professores da rede Estadual de Ensino, docentes e acadêmicos da UFGD e voluntários em geral. Tal experiência visou dar bases mais sólidas da viabilidade da implantação e do potencial da impacto. Serão apresentados também detalhes sobre equipe, custos, divulgação, escolas parceiras e outros detalhes para apreciação do projeto.

Para a construção do projeto permanente, estão sendo convidados também os sindicatos SINTED, SINTEF e Sindicato dos Bancários, ficando o cursinho sob responsabilidade da ADUF.

 
04

 
 

A princípio, a discussão sobre a possibilidade de criação do cursinho se iniciou como ponto de pauta da reunião da diretoria da ADUF, que vem reconhecendo a necessidade de atividades sociais e culturais de aproximação com a comunidade de Dourados.

Foram convidados filiados e estudantes da UFGD que já tiveram experiência com cursinhos comunitários e populares, para debater as experiências e aprendizados acumulados, para dar base à implantação do projeto. Posteriormente, um dos diretores apresentou um professor da rede estadual de ensino que também estava mobilizando um grupo de professores com o mesmo intento e resolvemos juntar forças para viabilidade o projeto.

Participaram das reuniões representantes da comunidade LGBT e de escolas que atendem aos indígenas, colocando também o escopo do projeto a busca pelo atendimento também desses públicos.

A ideia era iniciar o projeto apenas em 2018, mas a discussão e mobilização avançaram ao ponto de concluirmos sobre termos condições de iniciar já com um projeto piloto em 2017, com aulas de outubro à dezembro, para que pudéssemos vivenciar a experiência e melhorar o processo para 2018. Nos foram cedidas duas salas na Escola Ramona da Silva Pedroso, com autorização da Secretaria de Educação e as aulas se iniciaram; circularam pelo cursinho mais de 100 alunos neste período, participando de aulas de todas as disciplinas e também palestras sobre os seguintes temas: Reservas Indígenas; papel do Ministério Público Federal; Depressão; Acesso à Universidade Pública; 100 anos da Revolução Russa dentre outros temas, sempre correlacionados à possibilidades de caírem como temas de redação no vestibular ou no Enem.

Como resultado surpreendente, tivemos já 8 estudantes aprovados no vestibular da UFGD em cursos como Engenharia de Energia, Ciências Contábeis, Pedagogia, Psicologia e Engenharia de Aquicultura. E uma das professoras voluntárias, egressa do curso de Biotecnologia, foi aprovada no curso de Medicina.

Essa breve experiência nos encheu de esperanças sobre a possibilidade de contribuição que podemos dar na transformação da morfologia da ocupação de vagas na universidade, permitindo acesso à diversos cursos de graduação à populações em condição de vulnerabilidade social. Abaixo são apresentados alguns dos alunos aprovados:

 
 

28468121_1862824463787714_2832478602228457132_n

 

Referências Bibliográficas

FOLHA. Só 14% dos adultos brasileiros têm ensino superior, diz relatório da OCDE. Disponível em:
EBC. Ensino superior avança 25 pontos percentuais entre jovens estudantes. Disponível em: .
MEC. Análise sobre expansão das universidades federais: 2003 a 2012